Pensando num amanhã mais verde

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

ECO NOTÍCIA (semana 8)

Em Tejuçuoca, o carvão vegetal tradicional produzido( em
alguns casos) de forma clandestina e utilizando
mão-de-obra escrava ou infantil, está ganhando um
concorrente de peso. É que, na Fazenda Caiçara,
localizada neste município, está surgindo a primeira
unidade de fabricação de carvão ecológico do Norte e
Nordeste. Ou seja, a confecção de tabletes prensados
onde os resíduos de carvão de churrascaria, caieiras,
casca de coco e outros tipos de fibras são triturados. O
material recebe um aglutinante à base de fécula de
mandioca, depois é prensado e colocado para secar,
tornando-se tabletes, que foram denominados de briquetes de
carvão.

A mão-de-obra local é aproveitada na fabricação dos
briquetes ecológicos,
a partir de resíduos do carvão vegetal.

O briquete de carvão vegetal, considerado correto e 100%
natural, já consolidado no mercado europeu e norte
americano, começa a disputar espaço nas prateleiras de
algumas redes de supermercados e postos de gasolina do
Ceará. Além da questão ambiental, o briquete promete
rendimento maior e tem um outro aliado: o preço
competitivo.

De acordo com o proprietário da fábrica, Francisco Lopes
da Silva, o carvão vegetal é feito de argila, cinzas e
um sub-produto da mandioca. Não faz fumaça e queima mais
rápido e, o mais importante, preserva a natureza e dá
vida ao meio ambiente.

Selo de qualidade

O secretário de Cultura e Empreendedorismo de Tejuçuoca,
Joaquim Coelho Neto, disse que a ideia é sensacional e que
o município já luta pelo selo de qualidade ambiental. "A
questão ambiental, efeito estufa, futuro do planeta são
temas que preocupam ambientalistas e governantes, no qual o
desmatamento desordenado entra como um dos fatores mais
preocupantes, tendo na indústria do carvão vegetal um
vilão, tanto na degradação do meio ambiente como
também nas condições de trabalho a que são
submetidos aqueles que necessitam sobreviver dessa
atividade", exemplifica o secretário.

EDILARDO EUFRÁZIO, prefeito de Tejuçuoca, avalia que o
novo carvão
evitará crimes ambientais como desmatamento

A ideia na região tornou-se pioneira e muitos agricultores
estão passando por capacitação afim de fazer parte do
grupo de ambientalistas que lutam para salvar a flora de
Tejuçuoca. Um projeto criado pelo prefeito da cidade,
Edilardo Eufrásio, e com a participação da Secretaria
de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, denominado de
"Coração Verde", ajuda na conscientização dos
trabalhadores do campo para não desmatar para produzir
carvão.

Premiação

O presidente da Câmara Municipal, Valmar Bernardo, disse
que irá apresentar Projeto de Lei no sentido de premiar
aquelas pessoas que ajudem na preservação do meio
ambiente. "Caminhamos juntos no sentido de mudar a
consciência da população para não agredir a
natureza", frisou o parlamentar.

Na visão do prefeito Edilardo, o carvão ecológico
será, sem dúvida, a grande saída para evitar os crimes
ambientais. "Em Tejuçuoca já existe essa consciência
de que a produção de carvão é um problema ambiental.
Diferente do que pensam os ambientalistas, devemos
reconhecer que existe o fator sobrevivência, onde várias
famílias dependem dessa atividade. Ninguém faz carvão
porque ama a profissão. Para quem conhece, é um trabalho
insalubre e de difícil execução", diz o prefeito.

Para o gestor municipal, a solução é acabar,
definitivamente, com a produção de carvão vegetal.
Para isso, é preciso dar alternativa de trabalho para as
famílias sertanejas, bem como apoiar as iniciativas
privadas para instalação de novas fábricas na região
semiárida.

SEM POLUIÇÃO
Produto garante economia de matéria-prima

Tejuçuoca Pelo método tradicional, são necessários
dois metros cúbicos de madeira para produzir um metro
cúbico de carvão. Com a nova tecnologia do carvão
ecológico, não é preciso utilizar a madeira e usa-se
menos mão-de-obra, além de não ser poluente. Quatro
quilos de briquete equivalem a dez quilos de carvão comum.
O preço também é atrativo: entre R$ 7 e R$ 8 o pacote
de quatro quilos.

O carvão ecológico é um produto fabricado com
resíduos de carvão e aglutinante natural. Excelente para
uso em churrasqueiras, fornos de pizzaria e de
panificação. Substitui com eficiência a lenha e o
carvão vegetal. Possui as seguintes vantagens: alto poder
calorífico (maior que a lenha e do carvão vegetal); alta
temperatura de combustão; não produz labareda (não
queima a carne); queima por mais tempo mantendo uniforme a
temperatura do forno ou da churrasqueira em regularidade
térmica; queima sem emitir fumaça nem odores
desagradáveis; produto higiênico, não suja as mãos
nem o ambiente de trabalho; fácil manuseio com menor
espaço de estocagem; vem com acendedor; 100% ecológico,
não emitindo gases tóxicos como nos fornos de barros
tradicionais.

O acendimento é muito simples, bastando fazer uma pequena
pilha em forma de pirâmide, posicionando-se o acendedor no
meio dos briquetes. Com um fósforo, fazer o acendimento e
deixar a pilha sem mexer até que todos os briquetes
estejam em brasa, o que deve acontecer em no máximo 15
minutos.

Ao contrário do carvão, não há necessidade de mexer
ou abanar durante esse tempo. Basta esperar a formação
das brasas e espalhar os briquetes acesos em uma camada
uniforme e começar a assar o churrasco.

Quando usado em fornos de pizzaria ou de panificação,
não há necessidade de retirar os briquetes de dentro da
embalagem, sendo necessário somente posicionar o acendedor
no meio dos briquetes e colocar fogo.

A partir daí, na medida da necessidade, é só alimentar
o fogo com as embalagens sem precisar abrir.

MAIS INFORMAÇÕES

Associação dos Moradores de Caiçara - (85) 9606.5241

Secretaria de Cultura e Empreendedorismo de Tejuçuoca -
(88) 3323.1156

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